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Nunca É Somente Sobre Música Edição Anual 2025

Nada está garantido, tudo está em disputa. As nossas relações socioculturais são um campo em constante disputa, sua importância na sociedade não deve ser menosprezada. Existem demonstrações de resistência, nas dinâmicas entre estilos musicais. As identidades sonoras de grupos e subculturas, sofrem tanto tentativas de ataque, quanto de captura por estruturas de fora dessas vivências. Na exploração das nossas identidades culturais só interessa um pacote mínimo de características, que termina esvaziando seus significados mais profundos com a realidade. Até que, as mudanças nas relações e diferentes condições, criam movimentações culturais novas, com papel e representação efetiva nos acontecimentos. A arte é sim capaz de transformar, porém é preciso que o ciclo cultural se conecte, vida e arte, essa junção comunica onde palavras são insuficientes. A música e outras artes não mudaram o mundo sozinhas, mas iremos precisar delas para mudar o mundo.

"Seremos mais que nomes em um livro de história, daqueles que diziam que essa geração está perdida. ELES, que jamais fizeram questão de nos encontrar, mas nós nos encontramos, nós nos reunimos..." "A arte é culpada pelo sonhar. A arte é culpada por ainda sermos jovens. A arte é culpada pela nossa luta" Naimaculada Trechos da música - A arte é Culpada



antropoceno

Album: NATUREZA MORTA

Lua, também autora do projeto sonhos tomam conta. retorna na contra-antropologia de antropoceno. Natureza Morta surge como um manifesto contra a destruição ambiental, trazendo visões já colocadas por autores indígenas. Propondo uma experimentação orgânica entre o experimentalismo da música brasileira e distorções de guitarra. Um complemento indispensável, fica por conta da leitura do texto: Sambagaze: por um rock alternativo verdadeiramente brasileiro, disponível no substack: antropocenolua. Em uma argumentação excelente, Lua desenvolve como não basta apenas adaptar o que consumimos de fora, a nossa música nacional é capaz de muito mais do que isso. Fazendo uma provocação direta, um verdadeiro estímulo para mirarmos mais alto.



“Esses monumentos de homens brancos, que o homem preto ergueu com suas mãos e sua vida, que foi entregue ao muro de concreto….” “…e eu sinto falta do meu bairro, minha cidade esquecida, vida bandida e suicida, conheço bem aquelas ruas. Ô itaqua terra esquecida” Nigéria futebol clube, Trechos de: Agradecimentos (Não existe capitalismo sem racismo) feat. gustavo vitor hamada

Nigéria futebol clube Álbum: Entre Quatro Paredes A força de um grupo que vai com tudo, sentida no ambiente, nas pessoas ao redor, no som que vai para além das palavras, uma afirmação de origem e identidade. A experimentação do noise periférico, sem medo de errar. Construção possível para quem entende a importância de estar participando em seu meio, algo nascido de vivencias reais, todos os membros mantém vida ativa na cultural local e em outros projetos musicais, é esse o motor. Não tem segredo, a arte não é criada fechada do mundo, mas à exemplo do Nigéria Futebol Clube, ao compartilhar, se integrar e experimentar em conjunto. É tanta energia acumulada nesse entorno, que se tem algo que não subestimaria nem um pouco, é a representação cultural da cidade de Itaquaquecetuba, nos próximos anos.





"…sem esperança no mundo, fé abalada no todo, teto laranja de fogo, podre e sujo por dentro, sorriso amarelo por fora, perto do fim decadente, esperando dar a hora. Desesperança. Vivemos em crise de sonho"

The Sinks Álbum: Crise de Sonho


Prosseguindo sua nova fase, em 17 minutos muito bem aproveitados, centrado na faixa título “Crise de Sonho”. Uma crise de imaginação, sobre desejar mudanças e futuros realmente diferentes do presente. Essa desaceleração dos sonhos, acaba provocando estagnação, sentida e percebida em várias obras recentes. Se tomarmos a famigerada ostentação como exemplo, tão criticada de forma rasa, Só é preciso ampliar nosso olhar, a vida em um mundo que ao mesmo tempo reforça impossibilidades, sobrepondo um único tipo de vitória e satisfação, em um único sonho individualista permitido, vai acabar sendo refletido na música. Mesmo que "Crise de Sonho", discorra sobre a falta de esperança, a intensão da banda é clara. Apontar para o sintoma tão fixamente, é só o primeiro passo para supera-lo. Novos sonhos precisam estar no horizonte, mutuamente na vida e na arte. Cada vez mais artistas expressam: Não queremos viver em crise de sonho.




ESQUERDA (Portugal)

Single: Corpos na Revolta

Grupo português, que vem se posicionando de forma solida desde sua recente estreia. Sem dúvida Portugal é um campo de disputa, enquanto a nossa cultura se torna cada vez mais influente, movimentos xenófobos se expandem. A resposta fácil de alguns é simplesmente sair de lá e seguir a vida. Porém talvez a melhor resposta, seja justamente ao invés de nos afastarmos, aprofundar a troca cultural, principalmente ao lado daqueles em busca de outras direções. Segundo afirmação da própria banda ESQUERDA em relação a este single:

"Corpos na Revolta, lembra-nos que o corpo é também revolução e presença. A mudança nasce no chão, nos passos de quem resiste." 

Quem melhor vem mostrando, o caminho da troca cultural como positivo, foi o Monch Monch. Vale muito a pena acompanhar o trabalho de Lucas Monch, que promove esse intercâmbio cultural, não só participando ativamente da cena alternativa em Portugal, mas prestando apoio à vinda de artistas portugueses ao Brasil.





Vitor Brauer

Album: Trinquinumpára 07: Belém


Um Personagem prolífico do cenário independente, destrinçar sua trajetória cheia de projetos e participações, renderia fácil boas horas. Por enquanto vamos focar no ousado Trinquinumpára, que consiste no seguinte esquema: Fazer residência por três meses, em uma capital do país e gravar um álbum com participação de músicos e bandas locais. O objetivo é conseguir gravar nas 27 capitais no período de dez anos. O planejamento está em dia, Belém foi a cidade escolhida para o sétimo volume, lançado em dezembro de 2025, anteriormente e em sequencia foi: Em 2023 Volume 1: Maceió. Em 2024 Volume 2: Rio de Janeiro, Volume 3: Goiânia, Volume 4: Natal. Em 2025 também foram lançados, Volume 5: Florianópolis e Volume 6: Porto Velho. Só pra citar alguns poucos nomes, passaram músicos de bandas como: Peixe Fantasma, Exclusive & os Cabides, gorduratrans e Trash No Star. O único comentário que tenho depois de passar por esses discos, é o quão importante é o artista estar fora, na rua participando com outros agentes criativos. Vitor Brauer está totalmente comprometido em seguir nessa trilha.



“Em qualquer esquina dessa cidade, há cachaça suficiente pra queimar o mundo e crueldade pra congelar o inferno. Há mausoléus de ódio e trabalho, e magos que dormem nas calçadas. Há rituais soturnos de baixo de um viaduto, sacrifício na carceragem da delegacia.” - Leonardo Morales Texto para o álbum Maldita Perdição do LucyFuzz, no Bandcamp,



Lista Rápida Recomendações adicionais, para ouvir e ficar de olho:


D’Artagnan Não Mora Mais Aqui

Album: Ta’kwara


Outra grande estreia de Itaquaquecetuba, grupo de entrosamento impar, assim como a sua música, entre a psicodelia e a brasilidade.




Wi Fi Kills (WFK)

EP: Ansiedades em Formato de Audio


Direto de curitiba, fazendo barulho sintético. Seu frontman, musico e artista visual Klaus Koti, desenvolve artisticamente uma estética com cara de zine, tão presente no seu subgênero base, o Egg Punk.




Renato Medeiros

Single: Quero Dançar


Continuar em movimento é fundamental e essa música vai te fazer mexer. Medeiros além de produzir e compor, passou 2025 apresentando uma sequencia de excelentes singles.




LucyFuzz Album: Maldita Perdição


Doom Metal interpretado para o nosso próprio apocalipse e crueldade urbana. Enquanto uma parte do cenário pesado permanece em inglês, a composição em português, bem elabora da banda chama atenção.



guandu

Álbum - NO FI


Trio inspirado em subgêneros alternativos como slowcore, seus dois primeiros singles contam com participações da cantora Marina Mole.




Robsongs

Single: céus de abril


Veterano da movimentação de bandas, que entre 90 e 2000 ganhou o apelido de Guitar, ou mais especificamente como Guitar Bands de São Paulo. Robson Gomes dá sinais que veremos novidades de seu trabalho solo.



gueersh

Album: Xepa


Em Xepa o acid rock come solto com esse quinteto, seu lado mais pop não deu as caras por aqui.





Schlop

Single: “São Paulo, Te Amo Mas Tá Foda Demais”

(“New York, I Love You But You’re Bringing Me Down")

Não é a cara dessa coluna recomendar versões, mas essa mereceu um espaço. A relação de Amor e ódio que é viver em São Paulo é exatamente assim, um misto de bom humor e ironia.



A vida imita a arte, mas a Arte Mata. Ela era um pixo na paisagem bonita, selvagem, sempre em transmutação. Até deixou alguém emocionado, já marcou o coração de um mano que morreu de tanto levar flechada, eles vão recuar de tanto levar flechada, eles vão recuar. Vai ter que valer a pena ser combativo e essa melancolia não tá me fazendo bem. Mas aprendi da pior maneira que a Arte Mata. Mateus Fazeno Rock - Arte Mata

O que esperar dos artistas daqui para o futuro? Faço a mínima ideia, é isso que me deixa tão fascinado, continuaremos sendo surpreendidos por músicas novas e apresentações incríveis.



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